CIRURGIA: MEDICINA FETAL

Muito se conhece do comportamento do feto. Eles eliminam constantemente um líquido que é produzido nos pulmões; portanto, o que determina o risco fetal é o não crescimento e desenvolvimento pulmonar. A oclusão da traqueia fetal faz com que esse líquido não saia, acumulando no pulmão e permitindo seu crescimento e desenvolvimento. O objetivo da cirurgia não é corrigir a hérnia, mas permitir que o bebê possa nascer com capacidade pulmonar, ou seja, capaz de respirar melhor, diminuindo a hipoplásica e reduzindo as chances de óbito.

O que é a Hérnia Diafragmática Congênita

O diafragma é um importante músculo que separa o tórax do abdome, portanto isolando também os órgãos em cada compartimento. O diafragma é o principal músculo envolvido na mecânica da respiração após o nascimento. Ele se forma completamente quando o feto está com 08 semanas.

Por algum motivo, alguns bebês formam o diafragma de uma forma parcial, deixando uma abertura, ou mesmo em sua totalidade. Essa malformação é chamada HÉRNIA DIAFRAGMÁTICA CONGÊNITA. Mais frequentemente, esse defeito acontece no lado esquerdo do diafragma. Essa comunicação agora estabelecida fará com que os órgãos do abdome subam e ocupem o tórax. Dependendo do tamanho da hérnia, teremos mais ou menos órgãos abdominais ocupando o tórax. No tórax, temos os pulmões e o coração. A herniação de alças e estômago é frequente. Quando a hérnia é maior, o fígado também pode ocupar o tórax fetal. Assim sendo, uma grande quantidade de órgãos ou a presença de um órgão sólido como o fígado ocupando o tórax farão compressão sobre os pulmões e deslocarão o coração do seu posicionamento.

Qual a gravidade da Hérnia Diafragmática Congênita?

Existem diversos níveis de gravidade da hérnia diafragmática. Em todos os casos, os bebês nascerão em hospital com UTI neonatal. Nos casos leves, os bebês se comportam bem, toleram a assistência ventilatória, realizam a cirurgia definitiva de fechamento do diafragma e possuem boa sobrevida.

Na vida intraútero, se respira através do cordão umbilical e da placenta. Mas, após o nascimento, necessitamos dos pulmões bem desenvolvidos e amadurecidos para que possam fazer as trocas gasosas necessárias para a respiração. A hérnia diafragmática grave determina a compressão dos pulmões, dificultando ou impedindo não só o seu amadurecimento, mas também o seu desenvolvimento como um todo. Assim, nos casos graves da doença, a criança poderá nascer com insuficiência respiratória, necessitar de UTI neonatal equipada de ventiladores de alta frequência, óxido nítrico, oxigenação por membrana extracorpórea (ECMO); a cirurgia pediátrica deixa de ser uma prioridade e somente será realizada após a estabilização do bebê. Alguns bebês podem não sobreviver. Quando diagnosticado dentro do útero e nascido em centro terciário, a sobrevida é superior a 70%.

A gravidade da HDC depende de uma série de fatores, sendo os mais importantes listados abaixo:

– O tipo de defeito, se leve ou grave, o que requer avaliação minuciosa do fetólogo através da ultrassonografia. Avaliar o tamanho da hérnia, que estruturas estão herniadas e qual o grau de compressão pulmonar é fundamental para esse estadiamento. Assim determinamos qual o risco de hipoplasia pulmonar e risco neonatal.
– Se existem outras malformações associadas e se existe uma causa genética. Mais uma vez o papel determinante da avaliação da anatomia fetal por meio da ultrassonografia morfológica, do ecocardiograma fetal para afastar cardiopatias congênitas e também de exames que determinam o cariótipo fetal através da amniocentese genética.
– Quando a HDC é uma malformação isolada, precisamos avaliar: 1) se o fígado está herniado – o fígado como estrutura sólida determina por si só uma compressão pulmonar capaz de ocasionar hipoplasia pulmonar; 2) o fetólogo deverá estimar a severidade da compressão por uma medida de estimativa de pulmão remanescente, do lado oposto ao da hérnia – essa medida é chamada relação pulmão-cabeça (RPC).

Fetos com fígado herniado ou com uma relação pulmão-cabeça desfavorável estão relacionadas a elevadas taxas de mobimortalidade perinatal.

Mais informações: contato@clinicabruns.med.br

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